“Uma das formas de exercer autonomia é possuir um discurso sobre si mesmo. Discurso que se faz muito mais significativo quanto mais fundamentado no conhecimento concreto da realidade.”
Neusa Santos Souza.
Psicóloga, mestre em Psicologia com ênfase em Processos Clínicos e Avaliação Psicológica.
Psicanalista com especialização em Clínica Psicanalítica.
Especialista em Saúde da Mulher por meio de um programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Mulher da UEL.
Hoje me dedico aos estudos e pesquisas na área de gênero e sexualidades e sua intersecção com a clínica psicanalítica.
Atuação
Já atuei na área da saúde pública nos âmbitos da Atenção Básica (UBS), Secundária (ambulatório) e Terciária (hospital).
Fui uma das organizadoras do Projeto Palavra Indígena, patrocinado pelo PROMIC de Londrina - PR, que resultou na publicação do livro TETÃ TEKOHA, escrito pelos estudantes indígenas da UEL e publicado pela editora Jandaíra (Pólen).
Fui membro do núcleo Diverges (Diversidade de Gênero e Sexualidades) de Direitos Humanos do CRP Londrina - 8ª Região durante alguns anos.
Fui professora de Psicologia na Faculdade Dom Bosco de Cornélio Procópio PR, e na Universidade Estadual de Londrina no curso de graduação em psicologia e orientadora de monografia no curso de Especialização em Clínica Psicanalítica da UEL. Fui professora convidada para a disciplina "Integralidade no cuidado à Saúde da Mulher" no curso de Especialização em Psicologia e Saúde Mental da PUC - Londrina PR, no ano de 2023.
Atualmente, eu atuo como psicóloga clínica com atendimentos online e presenciais. Supervisora, palestrante, coordenadora e facilitadora de grupos de estudos e cursos online.
Tenho me dedicado aos estudos de gênero, sexualidades, mulheridades, masculinidades, lesbianidades, não-monogamia e questões étnico-raciais, pois acredito em uma psicologia e uma prática clínica implicadas politicamente e que não recusam os sistemas de exploração, dominação ou discriminação, e que se propõem a escutá-los de forma a subverter hegemonias de opressão que se mantêm em nossa sociedade.
Principais dúvidas
Como iniciar a análise?
O primeiro passo é agendar uma sessão inicial. Esse é um encontro de acolhimento e escuta, no qual conversamos sobre sua demanda, ou seja, o que motivou você a buscar a psicoterapia neste momento, sua história e o que você espera do processo.
Essa primeira sessão tem dois objetivos principais: compreender melhor seu caso e permitir que você conheça a forma como trabalho. Também é um espaço aberto para tirar dúvidas sobre o processo terapêutico, valores, frequência das sessões e funcionamento geral do tratamento psicológico.
Qual a minha abordagem dentro da psicologia?
Dentro da psicologia existem diferentes abordagens, ou seja, diversas linhas teóricas que norteiam o trabalho da psicóloga, como é o caso da abordagem psicanalítica, bem como da comportamental, da gestalt, da humanista, da fenomenologia, corporal, entre muitas outras.
A abordagem que norteia meu trabalho é uma Perspectiva Híbrida!
Mas o que isso quer dizer?
Como psicóloga, minha prática é fundamentada em uma abordagem híbrida que combina a psicanálise com uma análise crítica das questões sociais que permeiam o contexto brasileiro. Minha formação psicanalítica me proporciona uma base sólida, permitindo-me explorar a lógica inconsciente e a importância da associação livre no processo terapêutico.
A psicanálise trata-se de um dispositivo, um método de investigação do inconsciente. O pensamento psicanalítico pressupõe que não somos regidos apenas pela racionalidade consciente, há também outra lógica que opera em nós: a lógica inconsciente!
Se propor a fazer análise é querer saber o que o seu sintoma pode te informar acerca do seu próprio funcionamento, ela nos apresenta a possibilidade de acolhermos a nossa própria contradição.
No entanto, reconheço que a psicanálise tradicional muitas vezes não considera as complexidades das realidades sociais que afetam nossos pacientes. Por isso, minha prática é informada por uma perspectiva que leva em conta as intersecções de raça, gênero e classe. Acredito que a saúde mental não pode ser dissociada das estruturas sociais que moldam nossas experiências e identidades.
Nos últimos anos, tenho me aprofundado em estudos de gênero e sexualidades, explorando temas como lesbianidades, masculinidades, mulheridades, relacionamentos afetivo-sexuais e questões étnico-raciais. Essa pesquisa me permite abordar questões contemporâneas, como a não monogamia e a descolonização dos afetos, de uma maneira que respeita e valida as diversas vivências de meus pacientes.
Além disso, incorporo teorias decoloniais e feministas em minha prática, reconhecendo a importância de desafiar narrativas hegemônicas e promover um espaço de acolhimento e transformação.
Como funciona o tratamento psicológico?
A psicoterapia ou uma análise não têm o objetivo de diagnosticar uma doença, seja ela mental ou não, e curá-la do mesmo modo que acontece com as doenças orgânicas/físicas. O sofrimento psíquico não funciona como uma doença orgânica e, portanto, uma análise não funciona como uma prescrição médica. A psicoterapia é uma prática relacional.
O cuidado na psicoterapia não deve ser moral, normativo e sim um espaço reflexivo, crítico, aberto às vulnerabilidades e consciente de seus limites.
O tratamento psicológico acontece por meio de sessões individuais, geralmente semanais, com duração de 50 minutos. Durante as sessões, você é convidada(o/e) a falar sobre sentimentos, pensamentos, experiências, dificuldades e situações do seu cotidiano. O processo respeita seu ritmo e não há obrigação de falar sobre algo antes de se sentir preparada(o/e).
Nas sessões, você é convidado a associar livremente, ou seja, falar o que lhe vier à cabeça. Da forma mais livre possível, sem se preocupar com o sentido, ordem cronológica, ou qualquer outra coisa. Sobre o vínculo terapêutico.
A psicoterapia é construída a partir de uma relação de confiança entre terapeuta e paciente. Esse vínculo é parte fundamental do processo e contribui para que o espaço terapêutico seja um lugar de escuta, reflexão e transformação. Duração do processo.
Não há um tempo de duração pré-definido para a psicoterapia. O tempo de acompanhamento varia de acordo com a história de cada pessoa, os objetivos do tratamento e a complexidade das questões trabalhadas. Ao longo do processo, avaliamos juntos os avanços e as necessidades de continuidade. Sigilo e ética.
O atendimento psicológico segue rigorosamente o Código de Ética Profissional, garantindo confidencialidade e sigilo sobre o conteúdo das sessões, salvo em situações previstas por lei.
A psicoterapia, independente da sua abordagem ou modalidade, é um processo que demanda tempo e investimento, sendo esse financeiro e emocional. Quando a pessoa recorre à psicoterapia, ela deve estar implicada com essa, e é exatamente por isso que é impossível obrigar alguém a realizá-la. Ela não é somente uma técnica, mas o trabalho de construir uma relação terapêutica genuína de acompanhamento, confiança e transformação.
Como funcionam os atendimentos online?
Os atendimentos psicológicos online existem na psicologia há muitos anos, porém se popularizaram a partir da pandemia do COVID-19, em que fomos obrigados a estabelecer um distanciamento social. O Conselho Federal de Psicologia divulgou em maio de 2018 uma nova resolução ampliando a possibilidade de oferta de serviços psicológicos por meio de tecnologias de comunicação. A Resolução CFP 11/2018 prevê a realização de consultas e/ou atendimentos psicológicos de diferentes tipos, de maneira síncrona ou assíncrona, sendo possível a realização de atendimento online, atendimento telefônico, orientações por e-mail, entre outros.
Para realizar a prestação de serviços psicológicos por meios tecnológicos da informação e da comunicação, a psicóloga ou psicólogo precisa ter, além do registro ativo junto ao Conselho Regional de Psicologia, o cadastro no site e-Psi. Você pode buscar no site do Conselho Federal de Psicologia quais psicólogas são cadastradas e autorizadas à prestação de serviços psicológicos por meio de tecnologia da informação e da comunicação (TICs). Basta entrar no site e-psi.cfp.org.br e digitar o nome da profissional.
Mas como funcionam os meus atendimentos online?
A psicoterapia online consiste basicamente em sessões de terapia, orientações e aconselhamentos psicológicos realizados em plataformas de videochamadas, utilizando a internet. Além das videochamadas com o psicólogo, o paciente ainda pode ter o apoio do profissional trocando mensagens de texto ou e-mails.
Os meus atendimentos são realizados por vídeo, totalmente seguros, protegidos e sigilosos, além de atenderem a todas as regulamentações do Conselho Federal de Psicologia. Atendo em um local que garante a preservação do sigilo e indico para que meus pacientes também encontrem um ambiente que os possibilitem falar sem ser interrompidos ou escutados por terceiros.
Somente você e eu temos acesso à sessão e aos dados e informações trocados nela. Nenhuma sessão é gravada, respeitando o princípio da confidencialidade entre psicóloga e paciente. A segurança garantida pela psicoterapia online permite que você converse com sua psicóloga de qualquer lugar conectado à internet, com tranquilidade e ética.
O que a psicologia tem a ver com gênero e sexualidades?
As questões de diversidade de gênero e sexualidades têm ganhado um crescente destaque nas discussões de diversas áreas do conhecimento, em especial nas profissões da área da saúde. A Psicologia, integrante deste grupo que compõe a área da saúde, também tem levantado cada vez mais debates e reflexões sobre as diferentes possibilidades que os sujeitos têm de se identificar e se expressar.
No Brasil e no mundo, muitas pessoas são vítimas de discriminação, violências e até mesmo assassinatos por simplesmente serem quem são e manifestarem orientações sexuais e expressões de gênero que não se enquadram na cis-heteronormatividade. Essas pessoas integram o grupo da população LGBTQIAPN+, que luta e resiste contra essas tentativas de aniquilamento de suas formas de ser e existir, o que afeta diretamente suas saúdes físicas e psicológicas.
Diante disso, a psicologia tem um papel extremamente importante, por meio de um compromisso ético e político com a dignidade de qualquer vida humana, não perpetuando tais violências e possibilitando que os sofrimentos decorrentes desta sejam ressignificados, além de lutar ativamente contra a perpetuação destas violências. É parte do compromisso ético da psicologia contribuir para o enfrentamento de quaisquer práticas que aniquilem subjetividades.
A população LGBTQIAPN+ se apresenta como uma população exposta a violências, sejam de ordem física, material e/ou psicológica, sendo que algumas dessas violências assumem contornos muito sutis. A lgbtfobia, enquanto fenômeno presente na cultura brasileira, acaba por perpetuar constantemente a violência, a segregação, o isolamento e o abandono de pessoas LGBTQIAPN+. A psicóloga (o/e) também é produto e está inserido nessa mesma cultura, podendo reproduzir tais violências, sendo mais um perpetuador desse ciclo de discriminação. Muitas vezes, essa perpetuação da violência acarreta danos subjetivos e até mesmo materiais, difíceis de contornar.
Muitas dessas práticas não são percebidas pelos profissionais como violentas. Entre elas, podemos citar:
O uso incorreto de pronomes com pessoas trans, travestis ou não-binárias, quando o psicólogo supõe que deve utilizar masculinos, femininos ou neutros pelo fenótipo da pessoa, ao invés de perguntar.
Quando o psicólogo tenta questionar a/o/e paciente sobre as "origens" de sua homossexualidade, bissexualidade e/ou transexualidade, caracteriza-se uma prática que está ligada a uma tradição patologizante sobre as sexualidades e identidades não cis-heterossexuais.
Quando o psicólogo se empenha na atividade de averiguação das identidades e sexualidades de seus pacientes, no sentido de averiguação de verdade. Ou quando se empenham práticas de patologização e conversão.
A verdadeira patologia é a LGBTQIAPN+fobia!
Blog
Depoimentos
"A Flávia tem escuta serena e cuidadosa, que ajuda a analisar nossas subjetividades sem desconsiderar as demandas sociais tão presentes na construção de um indivíduo. Consegui me sentir à vontade muito rapidamente pra falar inclusive das minhas dificuldades no processo de análise. Ela é uma grande profissional, muito comprometida e responsável."
"Psicóloga muito especial ! Sessões descontraídas, e trocas incríveis... O melhor investimento é na nossa saúde mental! Super recomendo ❤ Flávia sempre me ajudando!"
"Uma profissional extremamente competente, acolhedora e com vasta bagagem para realizar o que se propõe."
"Profissional maravilhosa, sempre se atualizando e de uma sensibilidade incrível! Recomendo a todos!"
"Ótima profissional, sempre se atualizando, nossas sessões tem me ajudado muito. Sempre atenciosa e prestativa. Me sinto muito melhor e mais feliz."
"O que me chamou atenção na terapia com a Flávia foi o olhar dela, tanto para o mundo, quanto para o paciente. Ela me faz olhar para os meus problemas sem culpa, sem apontar o dedo, os colocado no seu contexto social e emocional em que vivo. É muito reconfortante como ela traz a visão do mundo (do todo) pra terapia e me lembra de que estou inserida nele, sem deixar de mencionar e chamar atenção para as decisões, emoções e escolhas que tenho que tomar na vida."
"Com um profissionalismo exemplar, a Flávia vem ajudando muito no meu entendimento das coisas e das escolhas que fiz e faço, auxiliando inclusive em momentos de fortes crises pessoais ao longo desses quatro anos."
"A Flávia é uma psicológica competente, atenta e sensível no acompanhamento das questões trazidas pelos pacientes. Ela se dedica ao aprimoramento contínuo e sempre traz reflexões e pontuações importantes a partir de seus estudos e análises. Confio e indico muito seu trabalho!"
Este site não oferece atendimento imediato a pessoas em crise. Em caso de crise, ligue para o CVV (188). Em caso de emergência, procure o hospital ou CAPS mais próximo. Havendo risco de morte, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou Corpo de Bombeiro (193).